Bahia tem 11 varas especializadas em violĂȘncia domĂ©stica, mas rede de apoio ainda Ă© menor que demanda
Foto: Rovena Rosa/AgĂȘncia Brasil
Apesar de figurar entre os estados com maior nĂșmero de varas
e juizados exclusivos para casos de violĂȘncia domĂ©stica e familiar contra a
mulher, a Bahia enfrenta um grave déficit estrutural no enfrentamento dessa
violação de direitos. Com apenas 11 varas especializadas em todo o estado,
distribuĂdas em Salvador (5), Barreiras, Feira de Santana, Juazeiro, Camaçari e
Vitória da Conquista (2), a rede de proteção judicial ainda é insuficiente
diante da crescente demanda.
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Os dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), reunidos pela
plataforma Data Jud, mostram que, embora a Bahia ocupe o quinto lugar no
ranking nacional de estados com mais varas especializadas, ao lado de
Pernambuco e Rio de Janeiro, o nĂșmero Ă© proporcionalmente pequeno frente Ă
extensĂŁo territorial e Ă incidĂȘncia de casos. SĂŁo Paulo lidera com 18 varas,
seguido do Distrito Federal (17), e GoiĂĄs e Rio Grande do Sul (14 cada). No
total, o Brasil possui 153 varas e juizados especializados.
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Mais preocupante ainda Ă© o fato de que apenas quatro dessas
11 varas baianas contam com setor de atendimento psicossocial exclusivo, com
uma estrutura mĂnima: trĂȘs psicĂłlogos e dois assistentes sociais. A
precariedade da rede de apoio se revela especialmente crĂtica diante dos
nĂșmeros alarmantes de feminicĂdio no estado.
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A contradição entre o avanço da judicialização e a
fragilidade da estrutura Ă© ainda mais visĂvel no interior. Porto Seguro, por
exemplo, registrou 20 casos de feminicĂdio apenas nos trĂȘs primeiros
meses de 2025, ocupando o quarto lugar no estado, mas nĂŁo possui nem vara,
nem juizado especializado. A ausĂȘncia de uma instĂąncia dedicada Ă© vista por
especialistas como um entrave ao acolhimento e Ă proteção eficaz das vĂtimas.
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Salvador, Feira de Santana e Juazeiro lideram as
estatĂsticas. A capital baiana, embora apresente uma ligeira queda nos casos,
continua com os maiores Ăndices, impulsionados pela alta densidade populacional
e pelas dinĂąmicas sociais e urbanas que aumentam a exposição Ă violĂȘncia. Feira
de Santana jĂĄ acumula 28 casos de feminicĂdio em 2025, seguido por Juazeiro,
com 21. Ambas contam com varas exclusivas.
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No ranking nacional de novos casos de violĂȘncia contra a
mulher por tribunal, a Bahia aparece em oitavo lugar, com 14.931 casos
registrados apenas em 2025. Desse total, 6.282 sĂŁo de violĂȘncia domĂ©stica,
5.764 se enquadram como crimes diversos contra a mulher, 991 referem-se ao
descumprimento de medidas protetivas e 568 Ă violĂȘncia psicolĂłgica.
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Esses nĂșmeros evidenciam a sobrecarga do sistema judiciĂĄrio
baiano. A estrutura limitada de varas e profissionais especializados, somada ao
alto volume de processos e à morosidade no julgamento, cuja média de tempo para
o primeiro julgamento de feminicĂdio chega a 873 dias.





